quinta-feira, 5 de agosto de 2010

dar aos calcantes

Um tipo quando é jovem não pensa… É sempre a abrir e muitas das vezes dá com os burros na água , foi o que me aconteceu . Uma moçoila bem apetrechada embeiçou-se por mim o que eu não desdenhei, como que era uma aventura bastante perigosa e quem tem cu tem medo eu cortava cavilha, entre encontros escondidos, a coisa lá foi andando, só que um dia lembrei-me que o sÍtio mais seguro era o cemitério, depois dos coveiros largarem o trabalho. Tanto eu como ela não tínhamos medos dos mortos, medo sim era dos vivos, bem pensado melhor feito, apontamos direitinhos ao dito. Ainda não estávamos acomodados e começamos a ouvir vozes, ficamos logo à rasca , disse-lhe para ficar quieta que eu ia espreitar, bem…Quando eu espreito… Deparo-me com um grupo de homens e mulheres que estavam a preparar uma missa negra. Dou um salto, agarro na companheira e desato a correr à frente de uma saraivada de calhaus , só parei duas vezes uma a largar a amiga que se pirou para casa e a outra no fontanário em frente da praça para beber água.
Por essa altura o jornal T&Q andava a investigar os rituais satânicos naquelas paragens e vieram a ter conhecimento deste episódio, mais tarde veio a ser contado também na RTP2 num programa do Joaquim Letria.
Andei bastante tempo com medo daquela gente não por medo da magia negra mas por vir a ser chibado das brincadeiras em que andava metido. Tacitamente as duas partes nunca abriram o bico, eu fiquei caladinho, só nunca percebi porque é que me meteram na porta da oficina dentro de um saco 27 cabeças de pombo, (27 era a minha idade) sal espalhado pelo chão e uma quantidade de velas umas acesas outras não, as velas deram jeito para acender o maçarico o resto não se aproveitou nada, nem para cabidela.

4 comentários:

Anónimo disse...

olá.
Mas olha que o Peças sabia!
Messias

Abstracto disse...

Esta história saiu do baú...
Abraço.

Fuzo de Agua Doce disse...

As pessoas que lêem o que vou escrevendo, devem pensar que isto são histórias a mais para uma pessoa só, mas também já me deparei com magia não sei se negra se doutra cor.
Um dia no tempo dos escudos de boa memória fui com o meu filho mais velho á serra de Sintra, á procura de medronhos, na estrada que passa junto á Lagoa Azul, parámos num local onde havia medronheiros e subi uma pequena elevação para apanhar uns medronhos, meu Amigo apanhei um alguidar cheio de moedas, com pedaços de velas meio queimadas, cheguei a casa todo satisfeito com o achado, e a minha mulher a pedir para deitar aquilo tudo fora, que dava azar, é o deitas, as moedas gasteias em cafés, e o alguidar depois de lavado foi para colocar no quintal da terra que tem aspecto de antigo e ainda lá está.
Um abraço
Virgílio

lmdoliveira disse...

O Peças não sabia de nada! No máximo desconfiava! Bom amigo o Peças, pena é não estar cá .
Já agora tu és tanto o Messias como eu!!!

Abstracto, como sabes a vida é feita de sucedâneos e o Virgílio tocou na tecla, as histórias das nossas vidas muitas vezes parecem demais só para uma pessoa, mas não, com o andar dos anos elas as histórias vão se refinando e para as pessoas da minha geração dão pano para mangas. Vivemos os anos sessenta a melhor década de sempre para o avanço da humanidade tanto nas artes como nas ciências,
vivemos em loco a guerra das colónias, vivemos e sentimos os ventos da liberdade com o 25 de Abril, tivemos a oportunidade de assistir e fazer parte da politica pura e dura , coisa que tem muito pouco a ver com a actual . Te digo que a minha geração foi talvez a mais bafejada pela sorte desde que existem portugueses a sorte procura-se também mais que não seja ir aos medronhos e na volta trazer um alguidar de moedas.
Abraço Abstracto e Virgílio