domingo, 29 de agosto de 2010

Lisboa, Igreja da Sra. da Saúde

Quantos marujos desfilaram a acompanhar a procissão da Santa. Eu desfilei dois anos, o primeiro ano correu bem, no segundo nem tanto.
O Sr. Cardeal chegou bastante tempo atrasado ,estava um sol abrasador, mesmo em frente do meu pelotão estavam os tipos da Legião, eram quase todos homens de muita idade, Mauser ao ombro posição de sentido o sol na cachola, os tipos começaram a cair como tordos, em barda, as beatas esfregavam as faces dos legionários mas estes qual cor de si, tiveram que levar os legionários para a sombra do cinema S. Lisboa .
Se por um acaso algum filho da escola ler isto e fez parte deste desfile de certeza absoluta não se esqueceu deste dia. Nós os marujos fomos apanhados à má fila na parada e casernas da Força de Fuzileiros, mandaram-nos vestir a farda branca e enfiaram-nos no autocarro para o desfile, uns estavam em transição para o Ultramar que era o meu caso outros tinham chegado , portanto isto não podia dar bom resultado, estávamos completamente revoltados com a situação, na escola de Fuzileiros havia gente muito mais capaz tanto psicologicamente como tecnicamente para o desfile, só vos digo que foi uma vergonha, passo trocado, alturas não definidas, ordem unida sempre a dois tempos. Quando acabou fomos para o parque Eduardo VII para entramos no transporte para nos levar de volta, quando não é o nosso espanto autocarro nem vê-lo . Fomos todos castigados a irmos em passo de corrida para o Ministério da Marinha, quando lá chegamos esperava-nos um Capitão de Fragata que nos pôs em sentido durante bastante tempo, ameaçou-nos com prisão gritando se não tínhamos vergonha e outros mimos, quando chegamos aos adidos já tinha passado a hora de jantar, o bar fechado a maior parte apontou direito ao Laranjeiro e comeu qualquer coisa nas tascas. Deste episodio só me lembro do camarada Zé da Mónica 1771/9 os outros nem por isso.

2 comentários:

Fuzo de agua doce disse...

Aí nunca fui, mas estive na Sé no dia da Marinha de 1966, e até lá dormimos, uma noite,o Capelão da Armada era simultâneamente Cónego da Sé, e foi recrutar pessoal á Escola de Fuzileiros para ajudar nas arrumações e limpezas, onde iriam decorrer as Cerimónias.
Um abraço
Virgílio

Valdemar disse...

Serviço em Lisboa só me lembro de irmos fazer o rescaldo de um incêndio, que nos princípios de 1969 deflagrou no Ministério da Marinha.
Valdemar Alves