sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

distanásia e eutanásia



A eutanásia vai ser mais um tema fraturante na sociedade lusa. Mexe com sentimentos, raízes culturais e religiosos sendo este ultimo carregado de dogmas das verdades absolutas, infalíveis, definitivas e inquestionáveis. O poder das confissões religiosas na sociedade civil tem se pautado sempre pelo medo, pelo castigo divino , pelas almas que ardem no inferno ( se pagares umas quantas missas vais para o purgatório) e toda uma panóplia de restos da inquisição, que condiciona o livre pensamento dos sujeitos.
Para quem tem de passar por situações extremas de definhamento certamente a eutanásia poderá ser uma saída ao sofrimento, a falta de qualidade de vida e o macabro teatro dos últimos momentos com os familiares a assistir e a fixar a ausência de dignidade no fim de uma vida.
Há quem diga que é uma escolha muito pessoal, não é bem assim, pois terá de haver outro alguém que desligue a máquina. Neste último paragrafo encontra-se o meu “nim“, pessoalmente se o final é sofrimento e indigno não quero que a minha mulher e os meus filhos assistam, venha a eutanásia mas se for para eu desligar a maquina a alguém isso já joga com os dogmas que a minha geração foi forçada a empinar.
Isto dos blogs ainda é como canta o Zé Mário (a liberdade está a passar por aqui maré alta maré alta) vai se escrevendo umas vezes com intenção outras só para marcar presença, vaie-se conhecendo gente algumas amizades feitas outras nem tanto fazem-se juízos de valor coxixa-se entre mailes , vem isto a propósito das ultimas leis sobre o aborto e casamentos gays em grande parte se deve à discussão dos internautas a abertura da sociedade a temas tabus e como não há duas sem três vamos à eutanásia (maré alta maré alta a liberdade está a passar por aqui)!!!

4 comentários:

Abstracto disse...

no momento em que as nossas capacidades motoras necessitam de estar ligadas à corrente eléctrica para funcionarem é sinal que somos apenas um ser vivo só e somente pois vida, essa já não temos. não quero passar a imagem de um mero insensivel que deambula por blogues. é óbvio que se alguem que me fosse próximo se encontrasse nesse estado arranharia-me todo, mas a verdade nua e crua é que a vida em questão não é minha vida, cabe ao tutor decidir o que fazer com ela num caso de um coma "irresssuscitavel" (não quero ser muito cold blood) sejamos francos, é apenas um vegetal com olhos que ocupa uma cama e gasta eletricidade (mas claro isto se eu estiver de fora) porque se estiver de dentro verei um pai, uma mãe, um avo, uma avó, um amigo, uma amiga, um cão ou um gato, mas verei-os piores que mortos, verei-os mortos ainda a respirarem. este tema é uma ferida infectada que arde ao ar, não o podemos tratar de dentro mas é inevitavel sentimo-lo.

TINTINAINE disse...

Eu que amarguei seis longos anos a ver o meu pai apodrecer em vida e a minha mãe a perder a razão, até morrer também, voto SIM!

lmdoliveira disse...

Tintinaine.
Eu sei dar o valor pelo que amargaste pelo teu pai, o mesmo se passou com o meu, não tanto tempo mas o definhar até ao fim foi doloroso.
No que diz respeito à minha mãe tenho o prazer e o privilégio de a ter a viver comigo em perfeita saúde física e mental nos seus oitenta e muitos anos!

Valdemar disse...

Não me revejo em tempo algum fosse nas condições mais dramáticas a decidir-me por mandar desligar uma máquina a alguem, muito menos a um familiar meu, o mesmo direi reforçadamente no que respeita a mim.
Durante mais de 4 anos tive o meu avô metido numa cama num sofrimento horrivel, mas ele rezava a pedir diáriamente ao S. Domingos, que não queria morrer.
O meu *Pai teve o cancro na Larinje, recusou-se duas vezes a ser operado e foi decidido em familia, que seria eu como filho mais velho a impor-lhe que aceitasse ser operado e ficar sem vós. Mais tarde veio-lhe o cancro do Pulmão sofreu horrivelmente, os médicos deram-lhe três meses de vida, ele viveu dezanove e porque escoou de sangue. Andamos nisso 17 anos. O meu Pai suportava as dores como nada se tratasse. Tenho essa imagem. Sinto-me felicissimo por isso. Hoje sinto-me feliz,o que ele sofreu. Na fase terminal os barcos Balboeiros, miniatura que fez. Hoje já o perpetuei, e sinto-me realizado com tudo o que fiz com os meus Pais, do que aquilo que fiz por mim ou pelas minhas filhas, mesmo que tenha de ter andado nas obras até há pouco para lhe dar formação académica. Sou antiquado em algumas coisas reconheço. Talvez. Mas sou feliz por ser assim. Respeito opiniões, e certos pontos de vista. Não sei onde aacaba nem onde começa a vida, nem os técnicos de saúde o sabem.
Pelo que vou continuar que o valor mais importante de uma vida é o coração e enquanto ele não parar, merece e é exigivel que o deixem respirar e quando se justifique o vão alimentando mesmo um pouco artificialmente.